São quatro.
O Terceiro está perdido, isolado no seu próprio inferno,
quando o Quarto diz e insiste:
-Vem, vem Terceiro, vem deitar com a gente!
O Terceiro resistente, por não querer carregar toda a sua
dor aos outros, mas não só por isso, fica mais um pouco cultivando o que dói.
O Quarto então continua a gritar, não desiste, com a sua vozinha frágil,
mas tão poderosa...
Finalmente o Terceiro, teimoso e mergulhado na escuridão,
vai, cede, fica compadecido por tanta sensibilidade, apesar de saber que tanto
carinho o iria fazer desabar. Diz:
-Mas eu não vou conseguir dormir...
Ouve o Quarto, com sua vozinha doce de compreensão:
- Não tem problema Terceiro...
Este que enquanto fala já vai enlaçando o pescoço do Terceiro com seu bracinho,
emaranhando seus dedinhos em seu cabelo e fechando os olhinhos para dormir.
O Terceiro chora, chora silenciosamente, com toda a imensidão de sua dor,
mas dessa vez também, por algo bem maior:
Toda a imensidão da sua gratidão.
Eu não sei a quantas anda a realidade...
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