sábado, 9 de junho de 2012

A imensidão do pequeno


São quatro.
O Terceiro está perdido, isolado no seu próprio inferno, quando o Quarto diz e insiste:
-Vem, vem Terceiro, vem deitar com a gente!
O Terceiro resistente, por não querer carregar toda a sua dor aos outros, mas não só por isso, fica mais um pouco cultivando o que dói.
O Quarto então continua a gritar, não desiste, com a sua vozinha frágil, mas tão poderosa...
Finalmente o Terceiro, teimoso e mergulhado na escuridão, vai, cede, fica compadecido por tanta sensibilidade, apesar de saber que tanto carinho o iria fazer desabar. Diz:
-Mas eu não vou conseguir dormir...
Ouve o Quarto, com sua vozinha doce de compreensão:
- Não tem problema Terceiro...
Este que enquanto fala já vai enlaçando o pescoço do Terceiro com seu bracinho, emaranhando seus dedinhos em seu cabelo e fechando os olhinhos para dormir.

O Terceiro chora, chora silenciosamente, com toda a imensidão de sua dor, mas dessa vez também, por algo bem maior: 
Toda a imensidão da sua gratidão.


Eu não sei a quantas anda a realidade...




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