Sintoma dos tempos de hoje é querer dias prontos e todas as coisas acabadas e pra já.
Por que afinal, para que costurar, dar-se ao trabalho de ir atrás tecido e linha e "desperdiçar" tempo, se podemos ir até uma loja agora e encontrarmos tudo pronto?
Para que cozinhar, ter que comprar, descascar legumes, lavar os alimentos e "desperdiçar" tempo cozinhando, se existem os congelados, os inúmeros restaurantes e deliverys?
Para que conversar pessoalmente, ter que organizar-se para coincidir horários com alguém, "desperdiçar" tempo marcando e se deslocando para algum lugar para um encontro, se existem os e-mails, facebook e whatsapp e posso falar o que quero agora?
Para que cultivar relacionamentos, "desperdiçar" tempo lidando com nossos monstros conjuntos e com a destruição de nossas máscaras, se até já existem "cardápios eletrônicos" de pessoas tão perfeitas, com as mais variadas opções, "tá ruim e só trocar", não é mesmo?
Sinto o quão insuficientes são esses exemplos, mas não os desenvolvo mais por duas razões. A primeira é simples: não me sinto capaz de numerar todos os exemplos suficientes. A segunda é mais importante: quero acabar logo esse devaneio escrito.
A não consciência do processo está em todo lugar.
Preciso entender melhor em que área da vida tenho "desperdiçado" pouco meu tempo, e atentar para poder "desperdiçar" mais!
Fiquei pensando... Como é que está o nosso fazer artístico em meio a tudo isso?
Em que lugares e momentos cabem a construção conjunta e o tempo do amadurecer?
Talvez, o que estejamos perdendo para além da neblina do instantâneo e da impaciência, seja muito mais úmido e mais fértil.
Uma pena é que não podemos "desperdiçar" nosso tempo para perceber.
Nos olhos do outro me enxergo.(?) Não deveria eu estar enxergando os olhos do outro? Enxergando os olhos, enxergaria o outro? O que o outro enxerga em meus olhos? Todos os olhos outros que já enxerguei em mim?
sexta-feira, 27 de maio de 2016
terça-feira, 24 de maio de 2016
antes de mais nada, uma justificativa: deu vontade de ser em minúsculas.
achei horrível mas fiz.
pensei.
quando identifiquei não acreditei.
mas foi isso mesmo, assumo.
nem sempre sou o que me sai...
lá vai:
questionei o poder da ficção.
ai.
isso mesmo!
sim, é terrível!
questionei o poder dos encantamentos!!!
eu que sempre precisei colocar os olhos de poesia para sobreviver à realidade "concreta".
sim, de concreto, às vezes cinza, dura, como esse prédio-caixa onde dia a dia estaciono meu corpo.
sim, isso mesmo, questionei estar lendo um livro porcamente julgado por mim como "inútil".
doeu.
"há tanto a ser feito, questionado! há tanta luta a travar e eu aqui lendo essa ~ficção~".
o incômodo foi como os daquelas noites mal dormidas nas quais nunca se encontra posição na cama.
ovo em frigideira.
Desacomodei dentro de mim.
Não me coube.
Como assim desacreditei do que pode reinventar essa vida que as vezes parece tão pouca?!
Como assim desacreditei da folga que é poder existir de outras maneiras?!
Como assim desacreditei do olhar-resistência que impulsiona transformações?!
Como assim desacreditei das palavras-ideias que geram ações de luta?!
Eu ein...
O mundo das utilidades ~adultas~ é mais perigoso do que eu pensava.
é preciso estar forte e se armar cada dia mais com palavras bobas!
achei horrível mas fiz.
pensei.
quando identifiquei não acreditei.
mas foi isso mesmo, assumo.
nem sempre sou o que me sai...
lá vai:
questionei o poder da ficção.
ai.
isso mesmo!
sim, é terrível!
questionei o poder dos encantamentos!!!
eu que sempre precisei colocar os olhos de poesia para sobreviver à realidade "concreta".
sim, de concreto, às vezes cinza, dura, como esse prédio-caixa onde dia a dia estaciono meu corpo.
sim, isso mesmo, questionei estar lendo um livro porcamente julgado por mim como "inútil".
doeu.
"há tanto a ser feito, questionado! há tanta luta a travar e eu aqui lendo essa ~ficção~".
o incômodo foi como os daquelas noites mal dormidas nas quais nunca se encontra posição na cama.
ovo em frigideira.
Desacomodei dentro de mim.
Não me coube.
Como assim desacreditei do que pode reinventar essa vida que as vezes parece tão pouca?!
Como assim desacreditei da folga que é poder existir de outras maneiras?!
Como assim desacreditei do olhar-resistência que impulsiona transformações?!
Como assim desacreditei das palavras-ideias que geram ações de luta?!
Eu ein...
O mundo das utilidades ~adultas~ é mais perigoso do que eu pensava.
é preciso estar forte e se armar cada dia mais com palavras bobas!
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