sábado, 29 de dezembro de 2012

O que é isso?

Um alienígena com coração! Mas nem parece um coração, parece grama...

- Um coração erva daninha?

(...)


quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Ridícula

Eu gosto é do ridículo, do brega.
Da idiotice da gargalhada, da sujeira de rolar na grama, do ultraje de falar com árvore.
De entrega em abraço, de ser “frágil” em sentimento, dos ouvidos de troca, das palavras de troca.
Eu gosto é do ridículo da construção, de mãos dadas e de silêncios acolhedores.
Gosto do desnecessário brincar e da perda de tempo que é o brilho nos olhos.
Gosto do frio aquecedor da chuva, e da mesmice de um pôr-do-sol.
Para quê parar para vê-lo se amanhã haverá outro?
Gosto da dança descontrolada, do cabelo bagunçado, de olheiras à vista, dos pés sujos de terra, das mãos lambuzadas de sorvete.

Gosto da pose perdida, porque ela pode ser perdida, meus momentos não.


"As vezes o que a gente acha que é ridículo, é o mais verdadeiro da gente."

sábado, 24 de novembro de 2012

Do seco à flor

Cavoquei-me.
Até encontrar as minhas palavras.
Os meus sentidos.
Revirei-me.
Mas agora, posso celebrar a terra remexida.
Sinto que está boa para plantio,
apesar da dolorida bagunça,
De todo o espalhar da terra...
Arranquei com violência as ervas-daninhas,
Que eu mesma havia aceitado, quem sabe criado.
Com elas acabaram indo algumas flores repletas de vida.
Mas foram por necessidade de que a terra pudesse respirar novamente.
Fresca.
Posso sentí-la úmida entre os dedos.
Macia.
Pronta para novas sementes.
Para um novo brotar.

Há um novo entendimento de jardim.
De flor.
De vida.




quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Lágrimas, por favor, me abracem forte!
Porque a saudade já me estrangula...

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

A luta de cada um, não cabe em palavras

É tanta luta árdua, diária. O senhor que teoricamente não teria mais idade para trabalhar, mas está carpindo o terreno para ganhar seu sustento; o motorista de ônibus com toda a paciência em meio ao trânsito caótico, o Sol no seu rosto e as reclamações dos passageiros; a dona de casa lavando a roupa dos filhos mais velhos que fingem não ter mãe; a catadora de latinhas grávida, carregando tamanho peso com seu carrinho, sem ter podido se alimentar... São tantos, tantos! Admiro os "sem rosto", "sem nome"! São muita força, muita superação! Os maiores vencedores não ganham medalhas. Constroem-se, ganham e fazem a própria vida acontecer. Resistem. Lutam entregues e repletos de coragem diante do incerto que amedronta todos nós: o dia de amanhã.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

É tanto o homogêneo que não se reconhece como tal...
Moléculas de um igual (?) Cabeças baixas na mesma direção.
Céu cinza, passos cinzentos.
Massa amassada.
Corpos prensados no metrô.
Corpos prensados na calçada.
Prensados no chão.
No urbano...
No que é a vida?




São tantas as subjetividades engolidas...
Fico curiosa pelo nome dos "sem-nome".
Pelos rostos dos "sem-rosto".
Dos "sem-nada".






Os terrenos baldios podem ser capazes de cultivar as flores mais bonitas.

Triste é ninguém estar ali para ver.



sábado, 9 de junho de 2012

A imensidão do pequeno


São quatro.
O Terceiro está perdido, isolado no seu próprio inferno, quando o Quarto diz e insiste:
-Vem, vem Terceiro, vem deitar com a gente!
O Terceiro resistente, por não querer carregar toda a sua dor aos outros, mas não só por isso, fica mais um pouco cultivando o que dói.
O Quarto então continua a gritar, não desiste, com a sua vozinha frágil, mas tão poderosa...
Finalmente o Terceiro, teimoso e mergulhado na escuridão, vai, cede, fica compadecido por tanta sensibilidade, apesar de saber que tanto carinho o iria fazer desabar. Diz:
-Mas eu não vou conseguir dormir...
Ouve o Quarto, com sua vozinha doce de compreensão:
- Não tem problema Terceiro...
Este que enquanto fala já vai enlaçando o pescoço do Terceiro com seu bracinho, emaranhando seus dedinhos em seu cabelo e fechando os olhinhos para dormir.

O Terceiro chora, chora silenciosamente, com toda a imensidão de sua dor, mas dessa vez também, por algo bem maior: 
Toda a imensidão da sua gratidão.


Eu não sei a quantas anda a realidade...




terça-feira, 5 de junho de 2012

Corpo.


              Que o descubramos.


                                                   Não apenas pela dor.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Mãos dadas

Sempre acreditei mais em carinho, em ação.
Estas são as palavras que realmente dizem.

Não há como racionalizar.
Está aqui.
Tão difícil quanto belo, quanto bom, quanto feliz.

Esta luta,
Carrego inteiramente.


domingo, 29 de abril de 2012

terça-feira, 24 de abril de 2012

Lágrimas discorrem sobre o medo


Quando a única compreensão
Escorre como interrogação
e toma forma de alívio
pós incompreensão contínua.


Até que queiram falar novamente.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Compartilhemos!

Há algum tempo, e em muitas conversas com alguém que posso chamar de anjo, venho refletindo sobre os valores que me guiam, sobre os valores que acabam por nos guiar, nessa construção de mundo, de pensamento, com tempo e espaço determinados. Não, não estou podando ou questionando as possibilidades de mudança desses valores, as novas maneiras de enxergá-los e vivê-los – maneiras em que acredito e pelas quais luto -, só estou pensando sobre o que em conjunto é construído e pelo que somos  por diversas vezes, arrastados sem perceber.
Dentro disto que podemos chamar de contemporaneidade, deste tempo, sinto rasgar na pele, no contato com o outro ou no evitar deste contato, valores predominantes e destruidores das tão sofridas, difíceis, mas bonitas, imprescindíveis e fundamentais relações humanas.
Valores como a solidão, a autossuficiência, o individualismo e uma ideia de liberdade que não emancipa, mas aprisiona, expressos e cultivados em ásperos gestos e displicentes palavras, não tão claros à primeira vista, de tão arraigados que estão em nós.
Solidão e autossuficiência, palavras que se complementam num evitar do outro, do contato. É tão difícil à troca, trabalhosa, muitas vezes dolorosa, exige tanto de nós que preferimos em muitos momentos dar-nos algumas desculpas para evitá-la e nos convencermos da sua não necessidade. Uma entre essas desculpas, a que gostaria de enfatizar aqui por estar ecoando durante todo o dia em minha cabeça após um contato: é o incômodo que podemos causar no outro. Considerando-o como máxima, achamos melhor realizarmos o que for, determinada atividade, ação, ou mesmo não realizar, baseados somente no "eu", não compreendendo que o "eu" totalmente isolado do meio em que vivemos, das pessoas, não existe. Sim, somos interdependentes, no melhor sentido da palavra! Precisamos um dos outros desde o momento em que nascemos até o momento de nossa morte.
A minha pessoa já é um incômodo, entrou em meus ouvidos e reverberou de maneira estrondosa em meu interior. Eu não ser o outro, já é um incômodo para ele, assim como ele para mim. Nossos pensamentos e planos não serem os mesmos é incômodo, entretanto, não vivemos sem a troca. Não há como não incomodar.
Não há como não incomodar.  A luta - e que bela luta! -, é lidarmos conosco  e com o outro neste incômodo constante que nos possibilita um imenso crescimento e autoconhecimento quando encarado.
Paz intranquila.
Que nos saibamos compartilhar!

O outro é cesta básica para nós.
Que nos seja possível entender, 
mas mais do que isso: sentir e viver sem fuga.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Gigantes

Nunca havia visto algo assim, tão fascinado quanto o olhar dela...
As bolinhas coloridas a paralisavam ternamente por entre as mesas de bilhar.
Olhar de fome, com fome.
De quem mal carrega a si própria, mas leva outro por dentro.
Pernas trêmulas ao beber o suco que lhe foi dado.
Olhos fixos com paixão.
Será nos instantes que sofre?
Com imenso prazer, delicia-se.
Penso que sua  fixação é em vida!
A pouca que tem, o muito que hospeda.
Aproveita cada migalha
de pão
de respiração
de sobrevivência.
Ela própria, migalha, dissolve-se aos poucos diante dos que passam.
É difícil observar o sofrimento.
É difícil observar esses gigantes em suas árduas lutas pelo instante.
Em seus pequenos imensos prazeres,
ao levarem migalhas à boca.
Ao receberem atenção, tratamento migalha.

Gigantes! Mais que gigantes!


Não era pra ser assim.
Não era pra ser assim.
Não era.



 R. Augusta   23:15  18/01