Deixa, deixa escorrer! Não empoça não!
Do topo da cabeça à planta dos pés!
Isso! Deixa passar!
Gota por gota ser-corrente. Correnteza!
ser-passagem.v a g a r o s a m e n t e.
A melhor imagem tornou-se corpo.
Era tanta beleza que não coube, transbordou.
A não-palavra fez tanto sentido que aprendeu a ficar em silêncio.
Para o que foi não há foto ou palavra suficiente.
Muito menos para o que é.
Mas há corpo.
preenchido e respirado.
dolorido e curado.
Momentos pés.
Momentos pernas.
Momentos quadril.
Momentos costas.
Momentos cabeça.
Quanta palavra incompleta! Corpo gritando e quietinho é bem mais!
Para pés parados, pés dançantes.
Aqueles que dia a dia divertem-se criando caminho.
Para pernas dormentes, pernas formigantes.
Aquelas que afirmam-se dia a dia próprio caminhar.
Para quadris rígidos, jogo de cintura.
Aquele que acredita nas possibilidades do "impossível".
Para costas doloridas, costas leves.
Aquelas que a cada dia aprendem a carregar apenas o que precisam e querem.
Para cabeça-emboscada, cabeça-asas.
Aquela que luta todos os dias por uma liberdade não ilusória.
Mapear o corpo é saber-se vida!
Saber-se instante, paisagem, interno e externo!
Misturança temperada, uma coisa em muitas!
Para as pessoas-encontro e para as pessoas-desencontro tenho poros-gratidão!
Tornaram-me e foram-me. Estão enquanto ficam, vão e são.
Neste fim e nesse recomeço tive e tenho:
Poros- gratidão!
Coração-fogos de artifício!
Braços-companheirismo!
Olhar-cumplicidade!
Dedão do pé-pôr do Sol!
Tenho também, aliás, não tenho porque é de natureza tudo escorrer:
Umidade além corpo.
Tenho aprendido a transbordar em gotas.
São breves. Caem ou secam.
E assim, em seus finitos segundos, me infinitam.
E por isso, não tenho a mínima ideia de como agradecer.
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