sexta-feira, 4 de março de 2016

corpo-traição

um corpo-memória se rasga ao presente. 
o vento de outono arrasta 
a pele 
sangrando às moscas 
escancara 
o Sol à seca 
sangrando às moscas 
o Sol a seca 
o vento arrasta

as moscas.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Há dias que ex-correm para amolecer os corpos.

Corpos molinhos se esticam-esticaaaam... Espremeem-espremeeeem em busca de si mesmos.
Às vezes nesse movimento, podem até soltar um caldo de aperto-aliviante do fundo do peito.
Fresquinhos, corpos tem mais possibilidade de se auto-alcançarem.
Às vezes relam-se! Conseguem no esforço máximo de uma estica-ação encontrarem-se instantaneamente  a si mesmos! Mesmo que em questão de segundos, o limite os alcance e os devolva em um movimento estilingado, in verso, para a posição inicial da busca.
Apesar de desencostados na maioria dos momentos, nesses dias uma coisa é certa: mais perto se chegam.
É em dias como esse que mesmo sem perceberem, algo úmido neles, sorri radiante, silenciosamente.
Algo é misteriosamente encontrado. Mesmo nos desencontros. Mesmo que não se saiba.

Quantas serão as partes que desconhecemos em nós?
.
Não sei quantas ou que partes são essas...
Mas sinto que algumas delas, se abraçam forte em dias de chuva.

sábado, 6 de junho de 2015

O Caminho do Sertão: primeiro passo.

Da terra rebenta o verde. O que poderia rebentar de meus poros repletos de terra? O que um corpo pode cultivar de caminho? Quantos possíveis constroem um caminhar? O encontro me rega. A partir dele, da magia de outras histórias e realidades posso brotar, me transformar e fortalecer minha ação no mundo. As relações me adubam. Sentir a luta de cada pessoa, seus suores, lágrimas e sorrisos, lembra-me que gente é que rega gente. Gente é que faz gente crescer. Gente junto então? Vish! Gente junto enfrenta qualquer secura. Gente junto é terra fértil. Gente junto pode ser tudo aquilo que habita e se liberta através do solo. Não há problema em só conseguir ver o início, a semente. Não há problema em não estar aqui para acompanhar o crescimento de um outro mundo, mais justo e mais digno. O importante é continuar plantando
E na possibilidade do caminhar em conjunto, sinto a semente, sinto a possibilidade de confluir caminhos para as lutas que dizem respeito a terra, nossa morada, nosso alimento, o lugar que todos os pés tocam, sejam eles quais forem. ele neste agora, passo por passo. Que se comece plantando a planta dos pés em movimento no chão e a chama da esperança no coração. Um dia disseram que do pó somos feitos. Eu hoje digo que do pó, da relação com a terra e com a natureza que somos, podemos ser refeitos. E na possibilidade do caminhar em conjunto, sinto a semente, sinto a possibilidade de confluir caminhos para as lutas que dizem respeito a terra, nossa morada, nosso alimento, o lugar que todos os pés tocam, sejam eles quais forem.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Não se trata de gelo

O gelo só se fixa à fôrma quando enrijece. 
Enquanto água, fluido, apenas transita por ela e permite-se transbordar.
O gelo só consegue sair da fôrma permitindo-se amolecer.
 Se ainda rígido se força ou é forçado a sair, perde lascas, sai aos pedaços.

domingo, 19 de abril de 2015

Dentro é úmido.

Nas(c)ser água.
Romper com a terra.
Não deixar queimar as sementes.

Brotar é sustent(o)ar pedaço de céu.



(Cíclica - 19/04/2014)

cor pomar

Transmutação. 
sem mutação alguma.
Transformação.
sem fôrmação alguma.
Autocondução,
condição-oração do ser-disforme.

toda parte é também todo.
se algo vai, nada fica.

um dedo delicadamente se move.
mal se percebe
coomove.
arrasta-mundo. 
não dizível tangível palma da mão.
mapeia incendeia sensação.
cor ação


como casa habitei nós
catavento os dissolvi
    dissolvi-me também eu,
preenchendo corro í r!

 barragem fui rompi.
torrente
 vermelha 
rebentei.
fertilizei-me amplitude.
descobri-me descoberta
fluida 
ininterrupta
vívida
flutuante


navegante em cada uma de minhas dobras navegantes
guiada guiante fui vou voo.

rodo e pio
sendo sopro:
corpo-vento
corpo-vela
corpo-mar
corpo-corpo



árvore danço.
expurgo minhas folhas enquanto as nasço.
expando

sou fruto 
 e saboreio a
cor pomar





sábado, 21 de fevereiro de 2015

Conexão

O corpo foge de estremecer. Finge não aguentar para defender-se de ser potência. É quase insuportável ser, de todo. Réstia de luz é de repente entender que sempre se é. Somos todo, completamente, insuportavelmente, misteriosamente, lindamente. Abrir os olhos da pele é escancarar-se. Olhar para as feridas é ao mesmo tempo fabricá-las e curá-las. Escorrer junto tem força de correnteza. Gota de água, de suor, de lágrima, tem sabor de imensidão. Imensidão unificadora. Aquela, que nos faz tão frágeis e limitados, quanto poderosos e infinitos. Aquela que não revela mas dá pistas do não-tamanho da nossa humanidade. 
Quando o corpo se movimenta, a alma vibra e dança.
Há algo para além do humano inserido em nós.
Que a vida continue transbordando de nossos poros!!