Com aquela alegria infantil, por meio de suas mãos gordinhas pegou a boneca.
A fez andar e brincar por meio de seus movimentos. Não a fez sentir, pois mesmo com seus olhos mortos e vidrados num ponto específico e seu corpo repousado sobre a estante, ela já sentia. O seu interior borbulhava, mas não era capaz de transbordar por meio de palavras, podia até mesmo mover-se sozinha em segredo quando o interior lhe estivesse insuportável, mas falar não.
Mesmo os movimentos das mãozinhas não foram capazes de mover a sua boca. Não falava, mas dizia.
Contava as mais divertidas piadas, as mais interessantes histórias, tinha as mais puras das reflexões, exprimia o mais profundo dos seus sentimentos.
Não falava com a sua boca, mas por meio de seus movimentos, soube o que era dizer.
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