O que mais posso querer do que exercer instantes? Tentar capturar, absorver cada sorriso, cada pôr de Sol, cada palavra, cada chuva, cada olhar, cada vento, cada lágrima, cada Lua, cada não dito de cada pessoa e cada dito pelo céu.
Desde o senhor que me cumprimenta tão simpaticamente todos os dias com um “bom dia moça”, até aquela criança que passou por mim correndo e me preencheu de alegria naquele momento em que eu estava precisando tanto. Também aquela moça cruzando meu caminho que eu não sei o nome, nem vou saber, mas que o olhar significou tanto naquele ínfimo segundo. Aqueles mal humores identificados em um gesto de mão ao devolver um troco. Aquelas tristezas identificadas em cabeças curvadas e sorrisos forçados. Aquelas esperanças identificadas naquele brilho de ações e dentes lindamente e sinceramente à mostra. Até as extensas conversas que já tive e todo o silêncio que eu já vivi. Todo o momento de um longo abraço. Todo o momento de um curto aceno de cabeça. Pouco muito, muito pouco. Sempre muito. Todo o contato. Do que eu preciso é ser presença.
É tanto inevitável como uma necessidade minha tentar ser captadora de momentos, eles se agarram em mim e não sei o que gritar para fazê-los soltar. E não sei se quero mesmo que soltem por mais que me apertem. E ainda que possam me soltar, as marcas de seus dedos ainda ficarão.
Momentos que em mim se fixam e me ajudam ser. Pessoas que em mim se fixam e me ajudam ser. Histórias que em mim se fixam e se misturam com a minha. Sóis, Luas, ventos, chuvas, frios e calores que comigo caminham.
Sou...
Ou ao menos tento.
Ou ao menos tento.
(eu parei de lutar contra o tempo
ando exercendo instantes
acho que ganhei presença)
Viviane Mosé
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