Olhar de carinho, pano branco em mãos. Venda-me. Não vejo mas sinto, é pele. Sentir é ver com a pele e para além dela. Quanto cuidado... Sinto-me abraçada pelos dedos que me guiam. Não sei para onde ir e nem o que fazer, mas me sinto bem. Arrepio, a emoção toma meu corpo, meus olhos respondem com lágrimas; umedeço a venda. Sou eu transbordando a beleza que me proporcionaram e que não cabe em mim, que me ultrapassa, que me imensa. Estremeço de gratidão! É esse o estremecer!! O que nutre, o que impulsiona o movimento! Escorro de gratidão da cabeça aos pés! Cantarolo sussurrando: "Eu tô, eu tô, em casa agora eu tô, pararatimbum pararatimbum, eu tô, eu tô eu tô eu tô..."
Sinto que diante da vida, todos estamos de olhos vendados.
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