Sintoma dos tempos de hoje é querer dias prontos e todas as coisas acabadas e pra já.
Por que afinal, para que costurar, dar-se ao trabalho de ir atrás tecido e linha e "desperdiçar" tempo, se podemos ir até uma loja agora e encontrarmos tudo pronto?
Para que cozinhar, ter que comprar, descascar legumes, lavar os alimentos e "desperdiçar" tempo cozinhando, se existem os congelados, os inúmeros restaurantes e deliverys?
Para que conversar pessoalmente, ter que organizar-se para coincidir horários com alguém, "desperdiçar" tempo marcando e se deslocando para algum lugar para um encontro, se existem os e-mails, facebook e whatsapp e posso falar o que quero agora?
Para que cultivar relacionamentos, "desperdiçar" tempo lidando com nossos monstros conjuntos e com a destruição de nossas máscaras, se até já existem "cardápios eletrônicos" de pessoas tão perfeitas, com as mais variadas opções, "tá ruim e só trocar", não é mesmo?
Sinto o quão insuficientes são esses exemplos, mas não os desenvolvo mais por duas razões. A primeira é simples: não me sinto capaz de numerar todos os exemplos suficientes. A segunda é mais importante: quero acabar logo esse devaneio escrito.
A não consciência do processo está em todo lugar.
Preciso entender melhor em que área da vida tenho "desperdiçado" pouco meu tempo, e atentar para poder "desperdiçar" mais!
Fiquei pensando... Como é que está o nosso fazer artístico em meio a tudo isso?
Em que lugares e momentos cabem a construção conjunta e o tempo do amadurecer?
Talvez, o que estejamos perdendo para além da neblina do instantâneo e da impaciência, seja muito mais úmido e mais fértil.
Uma pena é que não podemos "desperdiçar" nosso tempo para perceber.
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