quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Língua do "P"

Contextos vazios, cheios.

Poças metamorfoseando-se em poços

Palavras vãs carregadas de significado.

A fuga do outro em você.

Deixam a porta desesperadamente entreaberta: a boca.

Espiar à janela? Os olhos...

Espelhos de si? Escadas de si, de alma. De verdade?

Fumaça, borrões, lampejos da morada interior.

Feche-os! Feche-os!

Não os querem enxergar!

Bastam-lhes o mergulho no concreto.

Bastam-lhes despejar-lhe as palavras.

E assim fica, soterrado por elas,

distante do que o silêncio traduz...

Mas como não há silêncio sem palavras,

Não há vida sem contato.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Coração Vagamundo

Minhas pernas seguem seu ritmo,


Mas ele tem olhos que não me levam a lugar algum.


Caio sem palavras


Não vejo, não falo


Apenas vago...


Vago espaço preenchido.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Viver é estar

Os anos passam, o vento passa, as pessoas passam, passo. Gravada por rastros de passagens simplesmente deixo o meu, sobre o qual o vento passa conforme os anos que passam...Até todos passarem.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

De pó

Espalha-se - precipício desesperado abaixo

Choca-se - muralhas intransponíveis acima

Vagos caminhos humanos,

Humanidade animal,

Animalidade humana,

Desumanidade habitual.

Mordidas de luta por pedaços

Confundem-se cédulas, lixo, gente

Por que não enxergamos?

As cabeças estão altas demais,

E as vidas baixas demais...

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Que seja

Sempre tive medo de mostrar quem sou, até porque tinha medo de não ser quem estava mostrando. Realmente não tenho certeza desse ser que me habita, mas também não a quero ou espero mais como há algum tempo.

Entendi que é o turbilhão de ideias e sentimentos que me preenchem e esvaziam eventualmente que me movimenta. Balões preenchidos voam, mas eu nunca quis somente o ar, balões vazios repousam, mas eu nunca quis apenas a terra.

Gosto da diversidade e não me importo mais.