segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Luz

Num bar escuro: a claridade.

Das palavras: a simplicidade.



"Perdoa, mãe, mas biscoito de farinha só é gostoso se mastigado olhando nos olhos do irmão que sente na mesma hora a mesma delícia".
 (Henfil)


E a criança acompanhada me invadiu de risos e serenidade interior.O biscoito nos lambuza!

Ela que nunca deveria ter esquecido que olhar tanto as estrelas também poderia torná-las invisíveis, pensou:

Os olhos as alcançam, mas as vezes há a necessidade dos braços...

O feixe de luz do projetor lhe fez ter a certeza: se a alma não alcança, é de algum modo alcançada.




quinta-feira, 4 de novembro de 2010

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

silêncio ENSURDECEDORR

Meu GRITOOO

                de DESESPEROOO


tem PALAVRAS que se

                                CHOCAMMM  se


                                                       MACHUCAMMM
SANGRAMM


                  e MANCHAMM O PAPEL







silenciadasss                silenciadasss               silenciadasss




                               afogo-me no seco.

    
                                                 

             

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Língua do "P"

Contextos vazios, cheios.

Poças metamorfoseando-se em poços

Palavras vãs carregadas de significado.

A fuga do outro em você.

Deixam a porta desesperadamente entreaberta: a boca.

Espiar à janela? Os olhos...

Espelhos de si? Escadas de si, de alma. De verdade?

Fumaça, borrões, lampejos da morada interior.

Feche-os! Feche-os!

Não os querem enxergar!

Bastam-lhes o mergulho no concreto.

Bastam-lhes despejar-lhe as palavras.

E assim fica, soterrado por elas,

distante do que o silêncio traduz...

Mas como não há silêncio sem palavras,

Não há vida sem contato.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Coração Vagamundo

Minhas pernas seguem seu ritmo,


Mas ele tem olhos que não me levam a lugar algum.


Caio sem palavras


Não vejo, não falo


Apenas vago...


Vago espaço preenchido.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Viver é estar

Os anos passam, o vento passa, as pessoas passam, passo. Gravada por rastros de passagens simplesmente deixo o meu, sobre o qual o vento passa conforme os anos que passam...Até todos passarem.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

De pó

Espalha-se - precipício desesperado abaixo

Choca-se - muralhas intransponíveis acima

Vagos caminhos humanos,

Humanidade animal,

Animalidade humana,

Desumanidade habitual.

Mordidas de luta por pedaços

Confundem-se cédulas, lixo, gente

Por que não enxergamos?

As cabeças estão altas demais,

E as vidas baixas demais...