terça-feira, 6 de agosto de 2013

Olá você

Olá você!

Que:

sugou minha maneira de sorrir
arrancou meu prazer em escrever
diminuiu o meu dançar
depredou a minha arte de expressar
copiou minha maneira de tratar
vandalizou minha maneira de encarar
ridicularizou minha maneira de me entregar

Olá você!
que tem braços tão frouxos 
que não pode se alcançar.


Olá você!
Tenho uma última coisa para lhe presentear
Quem sabe até nisso possa me imitar:

ADEUS VOCÊ!!!!


sábado, 29 de junho de 2013

Verdes linhas

Textos são como frutos.
As palavras amadurecem dia a dia,
depois de brotarem cada uma em seu galho, em sua linha.

Sinto que não colherei nada.
Nenhum tempo me é suficiente para uma maturação completa.
Morrei de fome?

Palavras me adentram por outros lugares que não a boca.
A natureza é sábia!

quinta-feira, 27 de junho de 2013

A coisa


Uma porta ficou entreaberta.

Que porta é essa?
O que passa por essa pequena fresta?
 O que pode passar?

Uma corrente fria de vento aproveita o espaço vez ou outra.
A porta balança milimetricamente, mas acaba imóvel na posição de início.
Ainda assim: os sutis balanços provocam tremendo estrondo.

É notável que coisas grandes não passam pela fresta.
A não ser que tentem se espremer...
Mas algumas coisas não podem ser espremidas.
Perdem a forma e o sentido se assim tentarem.
Coisas que já conheceram o disforme não têm mais essa ousadia.

O que falta passar?
Que coisa é essa, última da fila,
que espera ansiosamente a possibilidade de passar
 para finalmente fechar a porta,
  e se jogar aliviada no conforto do sofá mais próximo
 sendo acarinhada pelo calor de uma bela xícara de café?




sexta-feira, 7 de junho de 2013

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Mãos de menina

Sentada por dentro.

Embebida daquela mistura de sons tão familiares...
Quantas vezes não esperou ali?
Não se angustiou ou ficou feliz, bem ali, naquela cadeira?

Pouso.

Pelas mãos da menina desconhecida surge o pássaro de papel.
E que voo rápido!
Quanta delicadeza apesar disto!

Largo sorriso.

Quanta alegria um pássaro pode trazer!
Quanta esperança!

Podem não acreditar,
Mas mãos de menina voam alto!

Bastam.

Alcançam.

Tanto, que o pássaro-sorriso continua até hoje.
Gravado no peito.

Brincando...
 Voando na melodia da memória,

De corda em corda:
No cell(o).





segunda-feira, 8 de abril de 2013

O reflexo do menino: o menino do reflexo

Um tanto dissolvido, mas não menos nítido.
Sorriso tímido escondido entre as mãos:
Sol entre nuvens!

olha, esconde, olha, esconde.
ensolarado, nublado, ensolarado, nublado.

Tudo questão de vento.

Movimento.

Metrô à dentro.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Peneira

Ansiosa pelo recebimento,
aguarda em seu lugar.

Finalmente são depositadas:
-vivências
-água
-lugares
-açúcar
-sentimentos

Alheios...

Após remexidos e espremidos
dolosamente com a colher sobram:
Bagaços.
Amargos.

O que passa tem dificuldade,
 porque é cuidadosamente selecionado
Pelos poros.

Mas é doce.

Muito da troca está aí.
No doar e no doer da passagem.

No sabor dessa mistura
É que fico sendo.

E tudo fica pertencendo,
em mim.