O corpo foge de estremecer. Finge não aguentar para defender-se de ser potência. É quase insuportável ser, de todo. Réstia de luz é de repente entender que sempre se é. Somos todo, completamente, insuportavelmente, misteriosamente, lindamente. Abrir os olhos da pele é escancarar-se. Olhar para as feridas é ao mesmo tempo fabricá-las e curá-las. Escorrer junto tem força de correnteza. Gota de água, de suor, de lágrima, tem sabor de imensidão. Imensidão unificadora. Aquela, que nos faz tão frágeis e limitados, quanto poderosos e infinitos. Aquela que não revela mas dá pistas do não-tamanho da nossa humanidade.
Quando o corpo se movimenta, a alma vibra e dança.
Há algo para além do humano inserido em nós.
Que a vida continue transbordando de nossos poros!!
Nos olhos do outro me enxergo.(?) Não deveria eu estar enxergando os olhos do outro? Enxergando os olhos, enxergaria o outro? O que o outro enxerga em meus olhos? Todos os olhos outros que já enxerguei em mim?
sábado, 21 de fevereiro de 2015
Em quarto e de peito apertado a menina se levanta várias vezes pra tentar ver a Lua, mesmo que enquadrada pela janela.
A cada tentativa frustrada tudo a espremia mais.
Com os olhos do coração sua mãe de longa distância lhe enxerga e na mesma hora lhe manda uma foto da Lua, linda, cheia.
A menina transbordou.
A cada tentativa frustrada tudo a espremia mais.
Com os olhos do coração sua mãe de longa distância lhe enxerga e na mesma hora lhe manda uma foto da Lua, linda, cheia.
A menina transbordou.
As não-fotografias de hoje
Num céu-fim de tarde regado a nuvens-conforto, uma pipa vermelha com sua rabiola dançante faz cócegas numa Lua que sorri.
Testemunhando ao pôr do Sol a grama é invadida pela passagem das sombras de uma charrete e de sete de cavaleiros da simplicidade.
quinta-feira, 1 de janeiro de 2015
poros-gratidão
Deixa, deixa escorrer! Não empoça não!
Do topo da cabeça à planta dos pés!
Isso! Deixa passar!
Gota por gota ser-corrente. Correnteza!
ser-passagem.v a g a r o s a m e n t e.
A melhor imagem tornou-se corpo.
Era tanta beleza que não coube, transbordou.
A não-palavra fez tanto sentido que aprendeu a ficar em silêncio.
Para o que foi não há foto ou palavra suficiente.
Muito menos para o que é.
Mas há corpo.
preenchido e respirado.
dolorido e curado.
Momentos pés.
Momentos pernas.
Momentos quadril.
Momentos costas.
Momentos cabeça.
Quanta palavra incompleta! Corpo gritando e quietinho é bem mais!
Para pés parados, pés dançantes.
Aqueles que dia a dia divertem-se criando caminho.
Para pernas dormentes, pernas formigantes.
Aquelas que afirmam-se dia a dia próprio caminhar.
Para quadris rígidos, jogo de cintura.
Aquele que acredita nas possibilidades do "impossível".
Para costas doloridas, costas leves.
Aquelas que a cada dia aprendem a carregar apenas o que precisam e querem.
Para cabeça-emboscada, cabeça-asas.
Aquela que luta todos os dias por uma liberdade não ilusória.
Mapear o corpo é saber-se vida!
Saber-se instante, paisagem, interno e externo!
Misturança temperada, uma coisa em muitas!
Para as pessoas-encontro e para as pessoas-desencontro tenho poros-gratidão!
Tornaram-me e foram-me. Estão enquanto ficam, vão e são.
Neste fim e nesse recomeço tive e tenho:
Poros- gratidão!
Coração-fogos de artifício!
Braços-companheirismo!
Olhar-cumplicidade!
Dedão do pé-pôr do Sol!
Tenho também, aliás, não tenho porque é de natureza tudo escorrer:
Umidade além corpo.
Tenho aprendido a transbordar em gotas.
São breves. Caem ou secam.
E assim, em seus finitos segundos, me infinitam.
E por isso, não tenho a mínima ideia de como agradecer.
Do topo da cabeça à planta dos pés!
Isso! Deixa passar!
Gota por gota ser-corrente. Correnteza!
ser-passagem.v a g a r o s a m e n t e.
A melhor imagem tornou-se corpo.
Era tanta beleza que não coube, transbordou.
A não-palavra fez tanto sentido que aprendeu a ficar em silêncio.
Para o que foi não há foto ou palavra suficiente.
Muito menos para o que é.
Mas há corpo.
preenchido e respirado.
dolorido e curado.
Momentos pés.
Momentos pernas.
Momentos quadril.
Momentos costas.
Momentos cabeça.
Quanta palavra incompleta! Corpo gritando e quietinho é bem mais!
Para pés parados, pés dançantes.
Aqueles que dia a dia divertem-se criando caminho.
Para pernas dormentes, pernas formigantes.
Aquelas que afirmam-se dia a dia próprio caminhar.
Para quadris rígidos, jogo de cintura.
Aquele que acredita nas possibilidades do "impossível".
Para costas doloridas, costas leves.
Aquelas que a cada dia aprendem a carregar apenas o que precisam e querem.
Para cabeça-emboscada, cabeça-asas.
Aquela que luta todos os dias por uma liberdade não ilusória.
Mapear o corpo é saber-se vida!
Saber-se instante, paisagem, interno e externo!
Misturança temperada, uma coisa em muitas!
Para as pessoas-encontro e para as pessoas-desencontro tenho poros-gratidão!
Tornaram-me e foram-me. Estão enquanto ficam, vão e são.
Neste fim e nesse recomeço tive e tenho:
Poros- gratidão!
Coração-fogos de artifício!
Braços-companheirismo!
Olhar-cumplicidade!
Dedão do pé-pôr do Sol!
Tenho também, aliás, não tenho porque é de natureza tudo escorrer:
Umidade além corpo.
Tenho aprendido a transbordar em gotas.
São breves. Caem ou secam.
E assim, em seus finitos segundos, me infinitam.
E por isso, não tenho a mínima ideia de como agradecer.
terça-feira, 18 de novembro de 2014
Somos grãos
Marlene.
Ao mar, reme.
Ao mar, reme.
Lá estava ela, se banhando.
Será que ouvia o barulho das ondas?
Concreto e fumaça.
Na calçada, as pessoas continuavam seus trajetos, arrastadas como uma só massa de cegos e surdos para o grão de areia que ali estava. Uma onda de gente. Todos tão grão quanto aquele que cuidava de si em via pública, neste caso, também via particular.
Marlene estava sendo. Sendo água com quase nenhuma. Quando passamos por ela, tivemos o cuidado de esperar. Não queríamos atrapalhá-la num momento íntimo. A casa dela é a rua, o lugar de banhar-se também. Sim, ela estava tomando banho. Um galão de água umedecia um pano, o qual passava pelo corpo.
Quando nos aproximamos, num momento de pausa, ainda se banhando e completamente em casa, foi logo mostrando seu seio, disse que tinha areia e que vinha de Santos.
Durante toda a conversa, o amor por Santos e pelo mar esteve sempre presente.
Segundo ela, viaja vez ou outra para lá. Como? Não perguntamos. Penso também que não é preciso saber. O importante é que ela consegue viajar, saindo ou não fisicamente do lugar. Santos está com ela, nela. Sustenta-a neste mundo de asfalto e concreto que é São Paulo.
Os muitos colares e anéis a destacavam, não perdeu a vaidade e o colorido num lugar que insiste em acinzentar os lugares e as pessoas.
Em um momento falou algo sobre um rádio, um rádio que só ligava quando perto do coração.
Quantas coisas realmente só ligam quando estão perto dele?
Marlene nos disse que somos fortes. Fiquei pensando na imensidão da força dela, que na conversa relatou que se esconde todas as noites da polícia para poder dormir, esconde também suas pouquíssimas coisas dentro da blusa para não ser roubada, vivendo no extremo do incerto minuto por minuto.
Ela é que é força. Imensidão.
Como o mar...
(Para não esquecer. Publicado em qualeseunome.blogspot.com 12/05/14)
terça-feira, 21 de outubro de 2014
Incenso de lótus
Ao vivido compartilhado.
Hoje acordei cinza. Mas é preciso não esquecer que cinza também é cor.
Hoje acordei meio filme em preto e branco. Cenas não me passaram pela cabeça, mas por algum lugar do corpo que nem sei o nome.
Senti o passado roçar a pele e dar arrepios.
Senti o passado roçar a pele e fazer coceguinhas.
Senti saudade.
Vi arroz jogado por um dos pisos de madeira mais aconchegantes que já vivi.
Não somente por ser de madeira, mas por ser abraço, um dos abraços mais coloridos que já encontrei e que graças a vida tenho o prazer de continuar encontrando.
Eta delícia é se embriagar de peito aberto! Cachaça de jabuticaba não é nada perto de quem ri e chora com palmeiras ao vento. Não é nada perto de quem tem e cultiva dia a dia o respeito da terra do peito-explosão! Posso escutar daqui a intensidade em que vive, em que gargalha, em que se põe a chorar, a dançar, a pintar, a encantar!
Sinto hoje florescendo a poesia e a coragem que plantou em mim.
Quando eu não sabia para onde ir, me lembrou que nosso chão são nossos pés mesmo que constroem. Me ajudou a ser chão, num chão desconhecido pra mim.
Resgate de alma era vir pra essa terra e me deparar com você! Resgate de alma é viver dia a dia tendo consciência disso.
Fazer do "desordenado" das cores um arco-íris, uma paisagem, não é pra qualquer um neguinha! E isso, putaquepariu! Tu faz bem que é uma coisa de louco!
Lembrei das colherinhas "para que não se perca o sabor". Ahh, sábio Rubem Alves! Ah as palavras, as pessoas, a poesia, que sempre chegam na hora certa!
Ah Victor Araújo que deságua água represada! HAUHAUHAUAH!
Porque "palavra boa é palavra derretida, em forma de lágrima", e "Em caso de poemas difíceis use a dança. A dança é uma forma de amolecer os poemas,
endurecidos do corpo",outra sábia essa Mosé.
Lembrei da sabedoria do fogo, ao queimar o que é pra ir e reafirmar nosso encontro, que é alma. Que tenhamos a sabedoria minha amiga, de deixarmos as coisas caminharem no tempo delas, porque os encontros são tão certeiros quanto os desencontros. E de troncos "secos" nascem flores lindas!
Que possamos dançar também no fluxo das coisas! Como a palmeira-cabeleira! HAUHAuAHUAH! Vento vaaaai, vento veeem... Tudo isso ao som de "vagaba! bandida!" HAUHAUhauAh! Ou daquela música que te possibilitou dançar ainda mais, aquela cumbia da boa que te faz requebrar os ombrinhos de bahiana!
Enfim minha amiga, que o que carregamos seja para nós como abraços! Seja para nós gratidão e nos ilumine a aprender imensamente com a nossa caminhada!
Gratidão por toda a poesia e inspiração.
Gratidão é muito pouco para dizer, espero que abraços digam mais.
Que continuemos construindo passo por passo o nosso chão.
Que os encontros e os desencontros só nos façam a cada dia mais nos encontrarmos conosco mesmo.
"Que nunca percamos a sensibilidade". Que o peito continue aberto e nunca estanque.
Te amo muito muié!
Hoje acordei cinza. Mas é preciso não esquecer que cinza também é cor.
Hoje acordei meio filme em preto e branco. Cenas não me passaram pela cabeça, mas por algum lugar do corpo que nem sei o nome.
Senti o passado roçar a pele e dar arrepios.
Senti o passado roçar a pele e fazer coceguinhas.
Senti saudade.
Vi arroz jogado por um dos pisos de madeira mais aconchegantes que já vivi.
Não somente por ser de madeira, mas por ser abraço, um dos abraços mais coloridos que já encontrei e que graças a vida tenho o prazer de continuar encontrando.
Eta delícia é se embriagar de peito aberto! Cachaça de jabuticaba não é nada perto de quem ri e chora com palmeiras ao vento. Não é nada perto de quem tem e cultiva dia a dia o respeito da terra do peito-explosão! Posso escutar daqui a intensidade em que vive, em que gargalha, em que se põe a chorar, a dançar, a pintar, a encantar!
Sinto hoje florescendo a poesia e a coragem que plantou em mim.
Quando eu não sabia para onde ir, me lembrou que nosso chão são nossos pés mesmo que constroem. Me ajudou a ser chão, num chão desconhecido pra mim.
Resgate de alma era vir pra essa terra e me deparar com você! Resgate de alma é viver dia a dia tendo consciência disso.
Fazer do "desordenado" das cores um arco-íris, uma paisagem, não é pra qualquer um neguinha! E isso, putaquepariu! Tu faz bem que é uma coisa de louco!
Lembrei das colherinhas "para que não se perca o sabor". Ahh, sábio Rubem Alves! Ah as palavras, as pessoas, a poesia, que sempre chegam na hora certa!
Ah Victor Araújo que deságua água represada! HAUHAUHAUAH!
Porque "palavra boa é palavra derretida, em forma de lágrima", e "Em caso de poemas difíceis use a dança. A dança é uma forma de amolecer os poemas,
endurecidos do corpo",outra sábia essa Mosé.
Lembrei da sabedoria do fogo, ao queimar o que é pra ir e reafirmar nosso encontro, que é alma. Que tenhamos a sabedoria minha amiga, de deixarmos as coisas caminharem no tempo delas, porque os encontros são tão certeiros quanto os desencontros. E de troncos "secos" nascem flores lindas!
Que possamos dançar também no fluxo das coisas! Como a palmeira-cabeleira! HAUHAuAHUAH! Vento vaaaai, vento veeem... Tudo isso ao som de "vagaba! bandida!" HAUHAUhauAh! Ou daquela música que te possibilitou dançar ainda mais, aquela cumbia da boa que te faz requebrar os ombrinhos de bahiana!
Enfim minha amiga, que o que carregamos seja para nós como abraços! Seja para nós gratidão e nos ilumine a aprender imensamente com a nossa caminhada!
Gratidão por toda a poesia e inspiração.
Gratidão é muito pouco para dizer, espero que abraços digam mais.
Que continuemos construindo passo por passo o nosso chão.
Que os encontros e os desencontros só nos façam a cada dia mais nos encontrarmos conosco mesmo.
"Que nunca percamos a sensibilidade". Que o peito continue aberto e nunca estanque.
Te amo muito muié!
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