terça-feira, 24 de maio de 2016

antes de mais nada, uma justificativa: deu vontade de ser em minúsculas.


achei horrível  mas fiz.
pensei.
quando identifiquei não acreditei.
mas foi isso mesmo, assumo.
nem sempre sou o que me sai...

lá vai:

questionei o poder da ficção.

ai.

isso mesmo!
sim, é terrível!
questionei o poder dos encantamentos!!!

eu que sempre precisei colocar os olhos de poesia para sobreviver à realidade "concreta".
sim, de concreto, às vezes cinza, dura, como esse prédio-caixa onde dia a dia estaciono meu corpo.


sim, isso mesmo, questionei estar lendo um livro porcamente julgado por mim como "inútil".
doeu.
"há tanto a ser feito, questionado! há tanta luta a travar e eu aqui lendo essa ~ficção~".

o incômodo foi como os daquelas noites mal dormidas nas quais nunca se encontra posição na cama.
ovo em frigideira.

Desacomodei dentro de mim.
Não me coube.

Como assim desacreditei do que pode reinventar essa vida que as vezes parece tão pouca?!
Como assim desacreditei da folga que é poder existir de outras maneiras?!
Como assim desacreditei do olhar-resistência que impulsiona transformações?!
Como assim desacreditei das palavras-ideias que geram ações de luta?!


Eu ein...
O mundo das utilidades ~adultas~ é mais perigoso do que eu pensava.

é preciso estar forte e se armar cada dia mais com palavras bobas!





domingo, 22 de maio de 2016

uma daquelas conversas que abrem espaço.

 des
       mon
ta
convicções,

como lápis "carcado" em folha branca
abre furo para o novo entrar.

nem que seja rasgando corpo-papel

é preciso parir a si próprio enquanto palavração 
no mundo.






sexta-feira, 4 de março de 2016

corpo-traição

um corpo-memória se rasga ao presente. 
o vento de outono arrasta 
a pele 
sangrando às moscas 
escancara 
o Sol à seca 
sangrando às moscas 
o Sol a seca 
o vento arrasta

as moscas.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Há dias que ex-correm para amolecer os corpos.

Corpos molinhos se esticam-esticaaaam... Espremeem-espremeeeem em busca de si mesmos.
Às vezes nesse movimento, podem até soltar um caldo de aperto-aliviante do fundo do peito.
Fresquinhos, corpos tem mais possibilidade de se auto-alcançarem.
Às vezes relam-se! Conseguem no esforço máximo de uma estica-ação encontrarem-se instantaneamente  a si mesmos! Mesmo que em questão de segundos, o limite os alcance e os devolva em um movimento estilingado, in verso, para a posição inicial da busca.
Apesar de desencostados na maioria dos momentos, nesses dias uma coisa é certa: mais perto se chegam.
É em dias como esse que mesmo sem perceberem, algo úmido neles, sorri radiante, silenciosamente.
Algo é misteriosamente encontrado. Mesmo nos desencontros. Mesmo que não se saiba.

Quantas serão as partes que desconhecemos em nós?
.
Não sei quantas ou que partes são essas...
Mas sinto que algumas delas, se abraçam forte em dias de chuva.

sábado, 6 de junho de 2015

O Caminho do Sertão: primeiro passo.

Da terra rebenta o verde. O que poderia rebentar de meus poros repletos de terra? O que um corpo pode cultivar de caminho? Quantos possíveis constroem um caminhar? O encontro me rega. A partir dele, da magia de outras histórias e realidades posso brotar, me transformar e fortalecer minha ação no mundo. As relações me adubam. Sentir a luta de cada pessoa, seus suores, lágrimas e sorrisos, lembra-me que gente é que rega gente. Gente é que faz gente crescer. Gente junto então? Vish! Gente junto enfrenta qualquer secura. Gente junto é terra fértil. Gente junto pode ser tudo aquilo que habita e se liberta através do solo. Não há problema em só conseguir ver o início, a semente. Não há problema em não estar aqui para acompanhar o crescimento de um outro mundo, mais justo e mais digno. O importante é continuar plantando
E na possibilidade do caminhar em conjunto, sinto a semente, sinto a possibilidade de confluir caminhos para as lutas que dizem respeito a terra, nossa morada, nosso alimento, o lugar que todos os pés tocam, sejam eles quais forem. ele neste agora, passo por passo. Que se comece plantando a planta dos pés em movimento no chão e a chama da esperança no coração. Um dia disseram que do pó somos feitos. Eu hoje digo que do pó, da relação com a terra e com a natureza que somos, podemos ser refeitos. E na possibilidade do caminhar em conjunto, sinto a semente, sinto a possibilidade de confluir caminhos para as lutas que dizem respeito a terra, nossa morada, nosso alimento, o lugar que todos os pés tocam, sejam eles quais forem.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Não se trata de gelo

O gelo só se fixa à fôrma quando enrijece. 
Enquanto água, fluido, apenas transita por ela e permite-se transbordar.
O gelo só consegue sair da fôrma permitindo-se amolecer.
 Se ainda rígido se força ou é forçado a sair, perde lascas, sai aos pedaços.

domingo, 19 de abril de 2015

Dentro é úmido.

Nas(c)ser água.
Romper com a terra.
Não deixar queimar as sementes.

Brotar é sustent(o)ar pedaço de céu.



(Cíclica - 19/04/2014)