Nunca havia visto algo assim, tão fascinado quanto o olhar dela...
As bolinhas coloridas a paralisavam ternamente por entre as mesas de bilhar.
Olhar de fome, com fome.
De quem mal carrega a si própria, mas leva outro por dentro.
Pernas trêmulas ao beber o suco que lhe foi dado.
Olhos fixos com paixão.
Será nos instantes que sofre?
Com imenso prazer, delicia-se.
Penso que sua fixação é em vida!
A pouca que tem, o muito que hospeda.
Aproveita cada migalha
de pão
de respiração
de sobrevivência.
Ela própria, migalha, dissolve-se aos poucos diante dos que passam.
É difícil observar o sofrimento.
É difícil observar esses gigantes em suas árduas lutas pelo instante.
Em seus pequenos imensos prazeres,
ao levarem migalhas à boca.
Ao receberem atenção, tratamento migalha.
Gigantes! Mais que gigantes!
Não era pra ser assim.
Não era pra ser assim.
Não era.
R. Augusta 23:15 18/01
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