Eram 4.
Dois vermelhidão, escorriam.
Outros dois, de pedra, guardavam solenemente de frente ao vidro os que acabaram chão.
"Liberdade machucada. Não é à toa que eles tenham morrido aqui..."
Eram 3.
O único que restou de pedra como que testava do que era feito.
Batia desesperadamente a cabeça no vidro.
Algo maior e desconhecido se aproxima dele.
Quer protegê-lo de sua ação.
Completamente desorientado ele tenta fugir, mas não sabe para ou de onde pisa.
No desespero redescobre-se parte de si, à muito esquecida: algo a que chamam de asas...
Elas corpo, abrem por instinto de salvação. Batem por algo que a consciência considerava soterrada.
No alto em fração de segundo, bate a cabeça na pedra maior.
O choque estrondoso o desperta. Descobre-se menos pedra do que imaginava.
Pôde entender porque a vermelhidão úmida lhe atraia tanto, guardião fiel que fora.
Sempre fora umidade. Cheiro férreo, terra.
Nunca fora pedra.
(Tornou-se ostra guardando segredo de pérola, não sabia-se pérola).
Com o baque da batida, esteve a um tris de se tornar definitivamente chão, vermelhidão completa.
Mas acabou por se entregar a outro: a si.
Cansou de guardar os ensanguentados e finalmente voou.
Bebeu do próprio sangue para revelar-se céu.
Bebeu de suas asas para voltar a reconhecer-se terra.
Carregava o mistério de possuir raízes que podiam voar.
Escolheu entregar às asas o próprio peso e a própria libertação.
Resolveu aguentar o céu e plantar o seu.
Plantar as sementes das asas...
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