quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Penetrações

Nesta manhã, com o sol batendo em meus dedos:
escrever sensações com o corpo enquanto se amplia a existência respirando chá.
Uma vida camomila mel e baunilha seria muito interessante. Principalmente cheiro.
"Não!" Foi o que me veio como rosto-palavra. Para que ou quem?
"A partir de agora, nesta sala, cada ato que se fizer será considerado um ato livre."
Livre? (Silêncio Interno).
Um cri cri cri cri cri cri infernal, somado à massódefalaremparaeuserlivreestariaeusendolivre? masseeunãoquiserdizernadaemeobrigarpelocontextonãoestareisendolivre.essecoçardenarizélivreouestoucondicionadaculturalmenteareproduzílo.tememalgogritandoqueeuteriaquefalaralgointeressantesobremimmesmaparagostaremdemimmasmaisdoqueissoparaeumesmagostardemimenquantoartista.éprecisofalaralgointeressantementepoéticoparaserconsideradanestemeio? serlivreseriadesconsiderartudoissoecomeçaravirarcambalhotassemeucorpopedir?oqueéumpedirdocorpo? olhaláeuseparandocorpodementemaisumavezaff! olhaláeumejulgandoporissomaisumavez...
fumaça preta a ser dissolvida. trabalho é a cada mínimo instante destruir cada lado do quadrado, até que vire o que se precisa, o que já se é e não se sabe, ou se sabe e não se sabe. se bem que para destruir quadrado, me parece que antes ele precisa existir.
há muita ansiedade em realizar e pouco fazer durar. em um corpo-cidade-construidor-de-fim-de-mundo quase não há espaço para a luta das sementes. mesmo assim elas se debatem  l e n t a m e n t e  (lenta-mente!) a nascer. penetram com força a casca e a terra até tornarem-se visíveis a olhos despreparados. misturam-se-mundo-enquanto-o-pare-entre-as-pernas-da-existência! uma máquina foi capaz de captar a coreografia dos processos, que vivemos em corpo mas não vemos com os olhos. coreografia dos processos. coreografia dos processos da força infinita da vida que despretensiosamente grita no invisível, ou não tão despretensiosamente assim. é possível ser mais possível com os olhos das sensações.
enquanto a massa humana esteve se contorcendo, se penetrando, houve mergulho num corpo infinito. descobrir-se com mais pernas, cabeças, mãos, é descobrir-se um pouco mais além, é sentir que os limites são todos explodidos. apesar dos incômodos humanos, demasiado humanos de dor e de não consideração pelo corpo do outro. às vezes o mergulho que é para fora e para dentro, acaba por ser para dentro demais. masolhaeujulgandoocorpoalheioeporissojulgandotambémomeu. apesar não! também assim.
Quando daquela porta saí, ou quando daquela porta entrei para fora, que também é dentro, continuei com a frase no corpomente: "cada ato um ato livre" e um certo alívio fez-se luz em ação. sinto que  meus pés brotaram e floresceram para baixo de mim, e puderam me sustentar um pouco mais. houve uma alegria infantil criadora da qual é preciso lembrar, assim como todas as outras sensações-ideias-sentimentos essenciais que realmente impulsionam vida. A gente se esquece, mas quando se lembra... Ahhhh quando a gente por um instante se lembra... voa na expansão do inominável!


Lembrei de Rilke, que me lembrou de legitimar a mim mesma em arte. Fui minha própria permissão.  Considerei existir. A leveza de ser o que se sente, se fez dança. Senti delícias libertas!




Nenhum comentário:

Postar um comentário