domingo, 2 de outubro de 2016

Como segurar essa vida que se esvai pelos excessos?
(Não me venha com respostas prontas!).

Imagino-me peneira inversa. Parece-me que somente o mínimo fica.
O que pode parar por ser pequeno, pequenininho.
Pontinha de sensação que em esconderijo úmido cresce até tomar a forma do compreensível ainda que não exprimível. 
(Feito sachê de confeiteiro, chantilly que dolorosamente espreme-se forma,  mas quando menos se espera escapa pela pressão e misturando-se borra a perfeição da florzinha).
O dedo indicador que coça, o piscar duplo de quem fita o papel, o brilho emocionado no olho do ator, a sensação de descoberta quando se abre o baú, a água que escorreu e chicoteou para todos os lados dentro e fora do vídeo, a pele lisa que me acorda em três dedos carinhosos nas minhas costas.
Micro-instantes fotografados em micro-lugares de micro-mundos. a inteireza dos pedaços.
Pedacinhos que parecem ser importância.
(Não me venha com respostas prontas!).

O tudo acaba sendo como o nada.
Burburinho.
Burburinho.
Burburinho.
Tudo nunca é suficiente.
Porque afinal de contas, talvez falte espaço pra viver com a vida assim tão cheia.
É preciso  espaço para caber-se.
É preciso espaço para poder cultivar a vida-pedaço que pode crescer.


É preciso ser pedaço.
Ser inteiro não cabe mais.
É não mais caber.
Pra poder ser.



Saindo do assunto,  mas ainda dentro.  Fabricar contextos para potencializar falas e ações. Se fosse lá e apenas falasse, o texto seria nada. Mas antes de tudo o texto foi circundado por situações que se encaixaram, ou desconectaram para ele ser o brilho que poderia ser.

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