domingo, 17 de abril de 2011

Sobre a estante

Com aquela alegria infantil, por meio de suas mãos gordinhas pegou a boneca.

A fez andar e brincar por meio de seus movimentos. Não a fez sentir, pois mesmo com seus olhos mortos e vidrados num ponto específico e seu corpo repousado sobre a estante, ela já sentia. O seu interior borbulhava, mas não era capaz de transbordar por meio de palavras, podia até mesmo mover-se sozinha em segredo quando o interior lhe estivesse insuportável, mas falar não.

Mesmo os movimentos das mãozinhas não foram capazes de mover a sua boca. Não falava, mas dizia.

Contava as mais divertidas piadas, as mais interessantes histórias, tinha as mais puras das reflexões, exprimia o mais profundo dos seus sentimentos.

Não falava com a sua boca, mas por meio de seus movimentos, soube o que era dizer.

domingo, 20 de março de 2011

eu não sei o que há nesse vagar interno de silêncios mudos.


os pés caminham sozinhos, pisando por cima de si mesmos.

tranquilidade cômoda, conformismo só.

tic-tac levanta, cai, levanta, cai, levanta, cai.

adeus palavras felizes, adeus sorrisos simpáticos.

borrões de rostos, os olhos continuam nítidos a cobrar.

não, não, não, não.

não insista, tenho direito a ele.

gritei tanto que me falta a voz.

 mas para que as palavras?

cabeça baixa.

de pés perdidos meus caminhos estão cheios.

quero o escuro tanto quanto o claro.



o preço do meu calado, é a liberdade do não-dizer.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Passos cegos

Tenho medo.


O furacão de caminhos faz areia entrar em meus olhos.

Paraliso.

Choro e a areia sai.

Volto a caminhar no desconhecido que havia caminhado com os olhos fechados.

Parece novo, mas pode ser o mesmo de sempre.

Várias voltas no mesmo lugar : na dúvida.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Curativo

Minha lavagem é movimento.
Não é onda.
É gota.
É suor.
Não é músculo.
É alma.
É respiração.

É aliviação por realizá-la.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Loucuras grafadas

        Leve-as-pesadas.

                                                         

                                                                                      estão presas no sentido.





                                        i-n-c-o-m-p-r-e-e-n-s-ã-o 

                                                                       d-e-r-r-a-m-e  -s-e!






                                   silêncio-barulho-pulsação
                                vento-rosto-sensação
                      vida-sentida- ALUCINAÇÃO


          
                          

paradoxo escrito.


                                                                                                   

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

A dor grita, o silêncio escuta

Gargalhadas animadas passando pelo sofrimento invisível do morador invisível de rua.
Invisíveis almas, existentes dores.

O olhar de revolta atrás de um camburão.
Não existe culpa, se não é possível existir sujeitos.

Não se enxerga, mas da mesma maneira se sente.