Com aquela alegria infantil, por meio de suas mãos gordinhas pegou a boneca.
A fez andar e brincar por meio de seus movimentos. Não a fez sentir, pois mesmo com seus olhos mortos e vidrados num ponto específico e seu corpo repousado sobre a estante, ela já sentia. O seu interior borbulhava, mas não era capaz de transbordar por meio de palavras, podia até mesmo mover-se sozinha em segredo quando o interior lhe estivesse insuportável, mas falar não.
Mesmo os movimentos das mãozinhas não foram capazes de mover a sua boca. Não falava, mas dizia.
Contava as mais divertidas piadas, as mais interessantes histórias, tinha as mais puras das reflexões, exprimia o mais profundo dos seus sentimentos.
Não falava com a sua boca, mas por meio de seus movimentos, soube o que era dizer.
Nos olhos do outro me enxergo.(?) Não deveria eu estar enxergando os olhos do outro? Enxergando os olhos, enxergaria o outro? O que o outro enxerga em meus olhos? Todos os olhos outros que já enxerguei em mim?
domingo, 17 de abril de 2011
domingo, 20 de março de 2011
eu não sei o que há nesse vagar interno de silêncios mudos.
os pés caminham sozinhos, pisando por cima de si mesmos.
tranquilidade cômoda, conformismo só.
tic-tac levanta, cai, levanta, cai, levanta, cai.
adeus palavras felizes, adeus sorrisos simpáticos.
borrões de rostos, os olhos continuam nítidos a cobrar.
não, não, não, não.
não insista, tenho direito a ele.
gritei tanto que me falta a voz.
mas para que as palavras?
cabeça baixa.
de pés perdidos meus caminhos estão cheios.
quero o escuro tanto quanto o claro.
o preço do meu calado, é a liberdade do não-dizer.
os pés caminham sozinhos, pisando por cima de si mesmos.
tranquilidade cômoda, conformismo só.
tic-tac levanta, cai, levanta, cai, levanta, cai.
adeus palavras felizes, adeus sorrisos simpáticos.
borrões de rostos, os olhos continuam nítidos a cobrar.
não, não, não, não.
não insista, tenho direito a ele.
gritei tanto que me falta a voz.
mas para que as palavras?
cabeça baixa.
de pés perdidos meus caminhos estão cheios.
quero o escuro tanto quanto o claro.
o preço do meu calado, é a liberdade do não-dizer.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Passos cegos
Tenho medo.
O furacão de caminhos faz areia entrar em meus olhos.
Paraliso.
Choro e a areia sai.
Volto a caminhar no desconhecido que havia caminhado com os olhos fechados.
Parece novo, mas pode ser o mesmo de sempre.
Várias voltas no mesmo lugar : na dúvida.
O furacão de caminhos faz areia entrar em meus olhos.
Paraliso.
Choro e a areia sai.
Volto a caminhar no desconhecido que havia caminhado com os olhos fechados.
Parece novo, mas pode ser o mesmo de sempre.
Várias voltas no mesmo lugar : na dúvida.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Curativo
Minha lavagem é movimento.
Não é onda.
É gota.
É suor.
Não é músculo.
É alma.
É respiração.
É aliviação por realizá-la.
Não é onda.
É gota.
É suor.
Não é músculo.
É alma.
É respiração.
É aliviação por realizá-la.
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Loucuras grafadas
Leve-as-pesadas.
estão presas no sentido.
i-n-c-o-m-p-r-e-e-n-s-ã-o
d-e-r-r-a-m-e -s-e!
paradoxo escrito.
estão presas no sentido.
i-n-c-o-m-p-r-e-e-n-s-ã-o
d-e-r-r-a-m-e -s-e!
silêncio-barulho-pulsação
vento-rosto-sensação
vida-sentida- ALUCINAÇÃO
paradoxo escrito.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
A dor grita, o silêncio escuta
Gargalhadas animadas passando pelo sofrimento invisível do morador invisível de rua.
Invisíveis almas, existentes dores.
O olhar de revolta atrás de um camburão.
Não existe culpa, se não é possível existir sujeitos.
Não se enxerga, mas da mesma maneira se sente.
Invisíveis almas, existentes dores.
O olhar de revolta atrás de um camburão.
Não existe culpa, se não é possível existir sujeitos.
Não se enxerga, mas da mesma maneira se sente.
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