quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Aprendi

Aprendi a calar quando mais quero dizer, porque sei dos ouvidos.
Aprendi a rir da, com e para a minha própria desgraça, encará-la, mastigá-la
na tentativa de torná-la mais amena, mesmo sabendo não anular a sua existência.
 Sei que ela ainda fica cravada em mim, sorrindo. Mas sorrimos juntas.
Parece que aprendi a me esconder mais explicitamente do que me escondia antes.
E como um dia eu já escrevi, continuo tendo medo dos escudos mudos.
Apesar da dor de qualquer esconderijo, minha principal luta é não me esconder de mim mesma.

Não me entendam!
As entrelinhas reduzem, mas também imensam...

terça-feira, 22 de novembro de 2011

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Mas não lava.







Como aguentar-se?
As dores que não sabem que doem... Multiplicam-se?
Às palavras que faltam, ou aquelas que se fazem presente.
 Aos contatos que não sabem que doem.


Afeta, não há como, afeta.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Progredir

Vidas doadas ao nada?
Fictício dominador.
Moedas caindo
Acima a sorrisos
Que amenizam dor.


Ruídos febris (gemidos doentis)
Maquinário infeliz: ser humano.
Ser humano, ter humano, não humano.
Ser humano? Ter humano, ter humanos...
Coisa humana? Humano coisa.


Relógios parados
Ponteiros de destruição
Lixo com mãos que tornam-se lixo
Vai-vem da ação
Vazio...Vácuo...Viver vão?






Para aquele que fez de tudo para eu me reconhecer nas palavras.
Por todo o seu esforço para o meu primeiro livro e para meu livro mais recente.
Por toda a sua luta, por todo o seu suor, por todo seu amor.
Por todas as páginas que você quis tanto e não pôde ler.
Por todas aquelas que vai lendo aos poucos e troca animadamente comigo.
Pela a universidade que você está lutando para cursar.
Por cada potencialidade que não pôde desenvolver, e por todas as que você carrega.
Pelo tão pouco que é te agradecer.
Te amo imensamente, querido pai.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Parece estar brotando...
Não, não pode brotar!
Pode?

Do sentido

Forcei violentamente as minhas grades.
Abri um vão na tentativa de enxergar melhor.
Sabia da dor de entortá-las, mas era necessário.
Descobri que elas não são a prisão que eu imaginava, talvez nem grades.
É o que me coloco e sei que posso retirar, mas quero, preciso, e faço ficar.
É como diz Adélia Prado: cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é.

O que é essencial e brilha nos meus é a construção.

sábado, 5 de novembro de 2011

Caro escudo mudo mude-se de mim!

Ao que há por trás: mostre a sua face!

Eu sei, sinto escorrer as lágrimas de quem chora compulsivamente uma

força-castelo-de-cartas-ao-vento.

As brisas são muitas, e das mais egoístas.

Carregam destruíção-furacão.





Por isso sumo silenciosamente,

Dissolvo vagarosamente...





Não posso com elas.

Esqueçam-me. Não existo. Nunca existi.

Não perceberão, pois fazem barulho demais.

Estão muito ocupadas com si mesmas.


Dissolvam-se no próprio ar!



Deixem o meu respirar!