sábado, 24 de novembro de 2012

Do seco à flor

Cavoquei-me.
Até encontrar as minhas palavras.
Os meus sentidos.
Revirei-me.
Mas agora, posso celebrar a terra remexida.
Sinto que está boa para plantio,
apesar da dolorida bagunça,
De todo o espalhar da terra...
Arranquei com violência as ervas-daninhas,
Que eu mesma havia aceitado, quem sabe criado.
Com elas acabaram indo algumas flores repletas de vida.
Mas foram por necessidade de que a terra pudesse respirar novamente.
Fresca.
Posso sentí-la úmida entre os dedos.
Macia.
Pronta para novas sementes.
Para um novo brotar.

Há um novo entendimento de jardim.
De flor.
De vida.




quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Lágrimas, por favor, me abracem forte!
Porque a saudade já me estrangula...

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

A luta de cada um, não cabe em palavras

É tanta luta árdua, diária. O senhor que teoricamente não teria mais idade para trabalhar, mas está carpindo o terreno para ganhar seu sustento; o motorista de ônibus com toda a paciência em meio ao trânsito caótico, o Sol no seu rosto e as reclamações dos passageiros; a dona de casa lavando a roupa dos filhos mais velhos que fingem não ter mãe; a catadora de latinhas grávida, carregando tamanho peso com seu carrinho, sem ter podido se alimentar... São tantos, tantos! Admiro os "sem rosto", "sem nome"! São muita força, muita superação! Os maiores vencedores não ganham medalhas. Constroem-se, ganham e fazem a própria vida acontecer. Resistem. Lutam entregues e repletos de coragem diante do incerto que amedronta todos nós: o dia de amanhã.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

É tanto o homogêneo que não se reconhece como tal...
Moléculas de um igual (?) Cabeças baixas na mesma direção.
Céu cinza, passos cinzentos.
Massa amassada.
Corpos prensados no metrô.
Corpos prensados na calçada.
Prensados no chão.
No urbano...
No que é a vida?




São tantas as subjetividades engolidas...
Fico curiosa pelo nome dos "sem-nome".
Pelos rostos dos "sem-rosto".
Dos "sem-nada".






Os terrenos baldios podem ser capazes de cultivar as flores mais bonitas.

Triste é ninguém estar ali para ver.



sábado, 9 de junho de 2012

A imensidão do pequeno


São quatro.
O Terceiro está perdido, isolado no seu próprio inferno, quando o Quarto diz e insiste:
-Vem, vem Terceiro, vem deitar com a gente!
O Terceiro resistente, por não querer carregar toda a sua dor aos outros, mas não só por isso, fica mais um pouco cultivando o que dói.
O Quarto então continua a gritar, não desiste, com a sua vozinha frágil, mas tão poderosa...
Finalmente o Terceiro, teimoso e mergulhado na escuridão, vai, cede, fica compadecido por tanta sensibilidade, apesar de saber que tanto carinho o iria fazer desabar. Diz:
-Mas eu não vou conseguir dormir...
Ouve o Quarto, com sua vozinha doce de compreensão:
- Não tem problema Terceiro...
Este que enquanto fala já vai enlaçando o pescoço do Terceiro com seu bracinho, emaranhando seus dedinhos em seu cabelo e fechando os olhinhos para dormir.

O Terceiro chora, chora silenciosamente, com toda a imensidão de sua dor, mas dessa vez também, por algo bem maior: 
Toda a imensidão da sua gratidão.


Eu não sei a quantas anda a realidade...




terça-feira, 5 de junho de 2012

Corpo.


              Que o descubramos.


                                                   Não apenas pela dor.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Mãos dadas

Sempre acreditei mais em carinho, em ação.
Estas são as palavras que realmente dizem.

Não há como racionalizar.
Está aqui.
Tão difícil quanto belo, quanto bom, quanto feliz.

Esta luta,
Carrego inteiramente.