domingo, 16 de outubro de 2011

Percebo como me engano.
Num ínfimo instante esclareço e perco. Voa o pássaro negro que não quer pousar para que eu possa encará-lo de olhos vermelhos.
É luta manter aqui.
Manter o que perturba, o que me deixa irritadiça, para poder assim tentar dar nome, talvez cor, talvez cheiro, gosto, mesmo que amargo... Digerir para depois quem sabe, vomitar tornando ação.
Luta sim, uma das mais difíceis, aquela que já se dá por nocauteado no chão, quando já se está caído, encolhido, mas que algo não físico, uma força tão abstrata (talvez vontade, quem sabe esperança) ainda faz os músculos persistirem num levantar de último segundo.
De onde vem esse sufoco, essa falta de ar?
Foram os socos? Foram os olhares de desprezo? As ações de egoísmo? Os escudos em forma de orgulho, de arrogância que me atingiram?
É tanta defesa agressiva!
Como explicar as marcas que me atingem?
Afetam. Sem afeto. Doem profundamente.
Incômodo. Sou eu? São as pessoas?
Ando incomodada com a minha falta de coragem de colocar alma nas minhas palavras e ações.
Por que não sorrir, não tratar com todo o carinho, não se preocupar com o outro quando o que eu mais quero é isso?
Será demais para as pessoas? Será que querem receber?
Irei me machucar como ando ouvindo aos montes por aí?
Estarão me esperando com punhais escondidos atrás das costas?
“Não vale a pena, não seja ingênua!”
Para mim tem que valer. E vale. Eu já me machuquei e sim, ainda posso e é bem provável que vá, assim como também poderei machucar, mas por causa disso ficarei aqui sentada olhando as minhas velhas cicatrizes e remoendo a dor que me causaram? Ou sairei correndo para sentir novamente o vento no rosto, mesmo que eu acabe levando novos tombos por esses novos caminhos a percorrer?
Não é porque podem me dar socos que já estarei com as minhas mãos preparadas.
Eu quero e busco os abraços.
Não é porque se age com egoísmo que vou agir a partir dele de antemão, como precaução.
Não é porque podem me tratar como objeto, que irei tratar as pessoas como tal.
Essa não é minha pressuposição, o pior não pode sê-la. E se acreditar nisso for enganar-me, esse acreditar no bom, engano-me com o melhor sabor que posso carregar.
Não quero a frieza da resistência, não quero me esconder por receio.
São tantos os escudos...
Não quero ser mais um em mim. Não quero ser mais um nos outros.
É dar a outra face?
Eu quero é ser inteira, e sim, sou extrema limitação.

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