O papel me amedronta.
É como se o contato das palavras com a sua superfície gerasse um choque de significado, que ambos deixassem de se compreender.
É como se a tinta presa e a fibra do papel estivessem à contra gosto, um no outro.
Será a tinta desenhada em forma de palavra, considerada apenas um borrão insignificante pelo papel?
Será o papel considerado pela tinta, pela palavra, uma superfície inapropriada para sustentar o peso que carregam?
Imploro:
-Papel em branco, em mim elas não podem mais continuar, ajude-me a fazê-las aceitar!
-Palavras, vocês sabem que precisam de um lugar para repousar!
Mudos e de rostos virados entre si e para mim,
Continuo sendo, nesse conflito,
Rabisco
flutuando
no
ar...
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