sábado, 15 de outubro de 2011

Sem abrigo

 O papel me amedronta.

É como se o contato das palavras com a sua superfície gerasse um choque de significado, que ambos deixassem de se compreender.

É como se a tinta presa e a fibra do papel estivessem à contra gosto, um no outro.
Será a tinta desenhada em forma de palavra,  considerada apenas um borrão insignificante pelo papel?
Será o papel considerado pela tinta, pela palavra, uma superfície inapropriada para sustentar o peso que carregam?

Imploro:
-Papel em branco, em mim elas não podem mais continuar, ajude-me  a fazê-las aceitar!
-Palavras, vocês sabem que precisam de um lugar para repousar!

Mudos e de rostos virados entre si e para mim,
Continuo sendo, nesse conflito,

 Rabisco
                 flutuando
                             no
                 ar...







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