quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Gigantes

Nunca havia visto algo assim, tão fascinado quanto o olhar dela...
As bolinhas coloridas a paralisavam ternamente por entre as mesas de bilhar.
Olhar de fome, com fome.
De quem mal carrega a si própria, mas leva outro por dentro.
Pernas trêmulas ao beber o suco que lhe foi dado.
Olhos fixos com paixão.
Será nos instantes que sofre?
Com imenso prazer, delicia-se.
Penso que sua  fixação é em vida!
A pouca que tem, o muito que hospeda.
Aproveita cada migalha
de pão
de respiração
de sobrevivência.
Ela própria, migalha, dissolve-se aos poucos diante dos que passam.
É difícil observar o sofrimento.
É difícil observar esses gigantes em suas árduas lutas pelo instante.
Em seus pequenos imensos prazeres,
ao levarem migalhas à boca.
Ao receberem atenção, tratamento migalha.

Gigantes! Mais que gigantes!


Não era pra ser assim.
Não era pra ser assim.
Não era.



 R. Augusta   23:15  18/01

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Inexato perfeito

Ao cair mais uma, fiquei insistentemente perguntando-me quantas já foram. Martelando mesmo, como dizem...

Inútil. Nunca saberei. E também, para quê números?

Gravados em mim muitos dos motivos, quiçá todos, mesmo que esta minha memória não destaque mais alguns, lá estiveram elas, cúmplices testemunhas, assinando-os com seu sal - elas sim podem narrá-los com mais precisão.

Cada instante.

Tentar contá-las é tentar estipular valor a cada um.

Inútil.

Tudo grande demais. Não cabe. Transborda.
Imensidão que de maneira tão pequenina continua a se manifestar no que brilha e escorre teimosamente pela face.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Morada

As luzes quentes que ofuscam e cegam, simplesmente clareiam meu sorriso de alegria, aquele que nasce de dentro e se esparrama da cabeça aos pés, a partir do lacrimejar de olhos esperançosos. No escuro, na espera alegre, vejo mais que panos pretos. Vejo coxias, espaços de sentido, preenchidos por suor, trabalho, luta, concentração, ansiedade, e finalmente: o alívio de toda a satisfação que preenche.  Dos corpos em movimento vejo almas em desejo, buscando o que arde, acende e estremece todo o ser.
 Ahhh querido palco do acolhimento, você vive em mim, e eu, em você.

Assim sempre será.



“Tudo dança hospedado numa casa em mudança.”
(Leminski)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Continua-ação

Palavra-abraço
Olhar-saber

Enxerga:
Traduza-ação
Situa-ação
Despressuriza-ação
Memoriza-ação
Esquecer-cuidado

Enfrentamento.

Nietzsche
Cita-ação:
Abismo-desafio
Desafio-abismo
Ponte-desafio
Desafio-ponte

Construção.


Máscara-oxigênio:
a minha
respira-ação
cuida
de
mim.


Máscara-pausa:
a minha
respira-ação
cuida
de
mim.


Não-máscara:
a minha
respira-ação
cuida
de
mim.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Aprendi

Aprendi a calar quando mais quero dizer, porque sei dos ouvidos.
Aprendi a rir da, com e para a minha própria desgraça, encará-la, mastigá-la
na tentativa de torná-la mais amena, mesmo sabendo não anular a sua existência.
 Sei que ela ainda fica cravada em mim, sorrindo. Mas sorrimos juntas.
Parece que aprendi a me esconder mais explicitamente do que me escondia antes.
E como um dia eu já escrevi, continuo tendo medo dos escudos mudos.
Apesar da dor de qualquer esconderijo, minha principal luta é não me esconder de mim mesma.

Não me entendam!
As entrelinhas reduzem, mas também imensam...

terça-feira, 22 de novembro de 2011

escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre  escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre escorre...



Mas não lava.







Como aguentar-se?
As dores que não sabem que doem... Multiplicam-se?
Às palavras que faltam, ou aquelas que se fazem presente.
 Aos contatos que não sabem que doem.


Afeta, não há como, afeta.