quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Parece estar brotando...
Não, não pode brotar!
Pode?

Do sentido

Forcei violentamente as minhas grades.
Abri um vão na tentativa de enxergar melhor.
Sabia da dor de entortá-las, mas era necessário.
Descobri que elas não são a prisão que eu imaginava, talvez nem grades.
É o que me coloco e sei que posso retirar, mas quero, preciso, e faço ficar.
É como diz Adélia Prado: cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é.

O que é essencial e brilha nos meus é a construção.

sábado, 5 de novembro de 2011

Caro escudo mudo mude-se de mim!

Ao que há por trás: mostre a sua face!

Eu sei, sinto escorrer as lágrimas de quem chora compulsivamente uma

força-castelo-de-cartas-ao-vento.

As brisas são muitas, e das mais egoístas.

Carregam destruíção-furacão.





Por isso sumo silenciosamente,

Dissolvo vagarosamente...





Não posso com elas.

Esqueçam-me. Não existo. Nunca existi.

Não perceberão, pois fazem barulho demais.

Estão muito ocupadas com si mesmas.


Dissolvam-se no próprio ar!



Deixem o meu respirar!








sábado, 22 de outubro de 2011

Sem rega-dor, rego asas


Repudio os pés prisão,
Chão, fique com as minhas sobras!
Tanto já foi arrancado...

O comodismo da dor é seco. Nego-me a regar o que é morte.




Apesar do incomensurável peso das raízes quebradas,
São as asas que devem mover.



Frutificarei.

domingo, 16 de outubro de 2011

Percebo como me engano.
Num ínfimo instante esclareço e perco. Voa o pássaro negro que não quer pousar para que eu possa encará-lo de olhos vermelhos.
É luta manter aqui.
Manter o que perturba, o que me deixa irritadiça, para poder assim tentar dar nome, talvez cor, talvez cheiro, gosto, mesmo que amargo... Digerir para depois quem sabe, vomitar tornando ação.
Luta sim, uma das mais difíceis, aquela que já se dá por nocauteado no chão, quando já se está caído, encolhido, mas que algo não físico, uma força tão abstrata (talvez vontade, quem sabe esperança) ainda faz os músculos persistirem num levantar de último segundo.
De onde vem esse sufoco, essa falta de ar?
Foram os socos? Foram os olhares de desprezo? As ações de egoísmo? Os escudos em forma de orgulho, de arrogância que me atingiram?
É tanta defesa agressiva!
Como explicar as marcas que me atingem?
Afetam. Sem afeto. Doem profundamente.
Incômodo. Sou eu? São as pessoas?
Ando incomodada com a minha falta de coragem de colocar alma nas minhas palavras e ações.
Por que não sorrir, não tratar com todo o carinho, não se preocupar com o outro quando o que eu mais quero é isso?
Será demais para as pessoas? Será que querem receber?
Irei me machucar como ando ouvindo aos montes por aí?
Estarão me esperando com punhais escondidos atrás das costas?
“Não vale a pena, não seja ingênua!”
Para mim tem que valer. E vale. Eu já me machuquei e sim, ainda posso e é bem provável que vá, assim como também poderei machucar, mas por causa disso ficarei aqui sentada olhando as minhas velhas cicatrizes e remoendo a dor que me causaram? Ou sairei correndo para sentir novamente o vento no rosto, mesmo que eu acabe levando novos tombos por esses novos caminhos a percorrer?
Não é porque podem me dar socos que já estarei com as minhas mãos preparadas.
Eu quero e busco os abraços.
Não é porque se age com egoísmo que vou agir a partir dele de antemão, como precaução.
Não é porque podem me tratar como objeto, que irei tratar as pessoas como tal.
Essa não é minha pressuposição, o pior não pode sê-la. E se acreditar nisso for enganar-me, esse acreditar no bom, engano-me com o melhor sabor que posso carregar.
Não quero a frieza da resistência, não quero me esconder por receio.
São tantos os escudos...
Não quero ser mais um em mim. Não quero ser mais um nos outros.
É dar a outra face?
Eu quero é ser inteira, e sim, sou extrema limitação.

sábado, 15 de outubro de 2011

Sem abrigo

 O papel me amedronta.

É como se o contato das palavras com a sua superfície gerasse um choque de significado, que ambos deixassem de se compreender.

É como se a tinta presa e a fibra do papel estivessem à contra gosto, um no outro.
Será a tinta desenhada em forma de palavra,  considerada apenas um borrão insignificante pelo papel?
Será o papel considerado pela tinta, pela palavra, uma superfície inapropriada para sustentar o peso que carregam?

Imploro:
-Papel em branco, em mim elas não podem mais continuar, ajude-me  a fazê-las aceitar!
-Palavras, vocês sabem que precisam de um lugar para repousar!

Mudos e de rostos virados entre si e para mim,
Continuo sendo, nesse conflito,

 Rabisco
                 flutuando
                             no
                 ar...







domingo, 9 de outubro de 2011

Nem tudo que reluz...

O homem é como Midas.
Onde toca, transforma.
Por isso é preciso estar cuidadosamente atento ao modo no qual toca, ao que, e a quem toca.
Pensando estar transformando tudo em ouro para o bem próprio,
Pode estar paralisando a todos:
O brilho dos olhos, as esperanças que movem,
A  beleza e o aroma de uma flor , o sabor único de uma maçã,
 O sabor da vida.
 Mas fazendo isso, também paralisa e destrói a ele mesmo.
 De mãos sozinhas, se dá conta de que não é mais possível o alimento de si próprio.




Que as mãos sejam dadas para que o ouro tenha sentido.
E que o sabor,
Ahh! Que o sabor floresça!